Chora muda, calmamente.
Ardendo a alma atravessando as molduras envidraçadas.
Ilumina a existência do velho estar; e internamente o faz acelerando.
O refletir avança em soluços, mexendo os lábios até então intactos.
Inventa fingimentos, mapeia novas dores, confabula em silêncio e nos próprios tropeços...
Sucede inesperadamente as primas frações. Aguardando o penetrar da cafeína.
Que acelera.
E toca fogo. E rasga o fio na pele. E grita em ódio. E queima, que a saliva sangra...
Mas quando que fora, abafa toda membrana delicada.
Uma missiva invisível escrita a gritos.
Fecha a janela, e abre a cortina, que já não me cabe mais a fúria.
Então cubro as células, as vértebras todas com ondas...
Não me importa o que embala o sonho alheio. É de tudo uma certa indiferença.
No antro da reta final, começa o espetáculo, as marionetes, pensando ao vibrar das cordas apertadas. Só sente que vibra ardendo, quando ondula a melodia surda.
Esterilizo a memória, do insuportável, me preparo para um banho de hipocrisia.
Libero as veias a correr equilíbrio, e procuro amparo nas letras sozinhas.
Filtro a imposição. Imperialismo fingido nunca me interessou.
E cessa a gritaria.
De punhos cerrados, sorrio gélida, numa histeria estranha e muito minha.
Toda interna e branda.

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