domingo, 8 de maio de 2011

Interiorize-SSse

Chora muda, calmamente.

Ardendo a alma atravessando as molduras envidraçadas.

Ilumina a existência do velho estar; e internamente o faz acelerando.

O refletir avança em soluços, mexendo os lábios até então intactos.

Inventa fingimentos, mapeia novas dores, confabula em silêncio e nos próprios tropeços...

Sucede inesperadamente as primas frações. Aguardando o penetrar da cafeína.

Que acelera.

E toca fogo. E rasga o fio na pele. E grita em ódio. E queima, que a saliva sangra...

Mas quando que fora, abafa toda membrana delicada.

Uma missiva invisível escrita a gritos.

Fecha a janela, e abre a cortina, que já não me cabe mais a fúria.

Então cubro as células, as vértebras todas com ondas...

Não me importa o que embala o sonho alheio. É de tudo uma certa indiferença.

No antro da reta final, começa o espetáculo, as marionetes, pensando ao vibrar das cordas apertadas. Só sente que vibra ardendo, quando ondula a melodia surda.

Esterilizo a memória, do insuportável, me preparo para um banho de hipocrisia.

Libero as veias a correr equilíbrio, e procuro amparo nas letras sozinhas.

Filtro a imposição. Imperialismo fingido nunca me interessou.

E cessa a gritaria.

De punhos cerrados, sorrio gélida, numa histeria estranha e muito minha. 

Toda interna e branda.